ARTIGO: Entre a preguiça, o medo e o sabor dos pequenos-grandes riscos

Sou mulher de quibes. Na dúvida, por melhor que me pareça a coxinha ou o
pastel, opto pelo quibe. Porque outros salgadinhos quando são bons são
ótimos, mas quando mais ou menos… são péssimos. Tantos são os
arrependimentos pequenos e grandes deste mundo que me tiram o sono e o
apetite, que não preciso de outros. Por isso escolho o quibe: não
surpreende mas também não frustra. Ele é aquilo ali, nem mais nem menos –
bom ou ruim, o quibe será sempre satisfatório.

Às vezes é disso que precisamos para manter o equilíbrio e evitar
decepções: o satisfatório. Nem quente nem frio, morno, como diz uma
passagem bíblica. A gente sabe que a vida vale a pena por ser sim ou não,
mas para evitar dor e sofrimento, na dúvida da possibilidade de alegria,
optamos pelo talvez. E seguimos eficientes quando poderíamos ser eficazes.
E nos enganamos propositalmente crendo que somos vítimas de um universo que
funciona por si mesmo e que não responde aos nossos desejos e escolhas.

“Quebrar a cara” é realmente opcional, uma vez que escolhemos arriscar, e
que assumimos o risco, mas ao nos protegermos tanto do erro, da dor, do
arrependimento e da decepção, não experimentamos a delícia da boa surpresa,
da alegria inesperada, do riso incontrolável, do arrepio e das novas
sensações que nos ampliam horizontes e o conhecimento. A zona de conforto
em que nos acomodamos para contentamento com o previsível pode servir pra
escolha do sempre satisfatório quibe, porém não ao novo emprego, à
separação, a mais um relacionamento, à tatuagem desejada, ao primeiro voo
de avião, a falar em público.

Os estudiosos da famigerada pseudo-lei de Murphy não possuem dados
concretos sobre os resultados mais comuns acerca da escolha humana ao
risco: ganha-se mais do que se perde??? Mesmo havendo influenciadores que
às vezes desconhecemos ou não controlamos, a probabilidade de acerto ou
erro está em nossas mãos. Isso mesmo, pois na maioria dos casos depende da
maneira como administramos cada questão. Quantas vezes a “sorte” nos
favorecia e de repente, por uma palavra mal proferida, uma ocasião não
adequada, um tom de voz espontaneamente grosseiro, perdemos a razão e o
sucesso…

A verdade verdadeira é que a maior probabilidade de vitória e de fracasso
depende na nossa análise prévia da situação. Acima do destino ou do acaso
está o livre-arbítrio: mesmo quem acredita piamente na determinação divina
sabe que, dentro de sua fé, o ser supremo lhe deu liberdade para ser,
sentir e agir conforme sua consciência. E que as consequências chegam de
uma forma ou de outra, pelas mãos dos homens ou d’Ele. E é por essas e
outras que o quibe, a coxinha e o pastel não me perturbam, pois há coisas e
pessoas que precisam e merecem mais da minha energia, dedicação e paciência.

Por Irma lasmar

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