A ESTANTE. Por kurt Helmut

Num dia de chuva
e de ventos fortes
percebi no meio-fio,
daquela rua sem muita importância,
uma letra presa
por uma linha
que se vestia
em verso.

E diante de tanta sujeira,
sob relâmpagos e trovoadas,
o bueiro rejeitou esse tal verso.
Consequentemente veio a represa
onde o mesmo verso,
por conta do momento,
chegou até a uma janela.

Ao perceber
o desespero do lado de fora
e o silêncio das estantes,
decidiu morar ali.

Namorou e se casou
com aquela ambientação.
Dessa relação
vieram linhas ou filhas
e teve uma vida normal
como qualquer família.

Essa é a história
de uma letra qualquer
que teve a sorte ou destino
de conhecer uma linha,
onde a união se deu num verso,
e ao morar numa estante
vive hoje nesse poema,
passeando entre olhos ou ouvidos
de cada um…

Qualquer caso ou semelhança
será sempre
uma mera coincidência.

Truck Tumleh
www.kurt.com.br

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