Saúde Pública em tempo de Pandemia.

Nos últimos dias temos visto o sistema de saúde de países desenvolvidos entrando em colapso, devido a falta de leitos disponíveis para tratamento dos pacientes que contraíram o COVID-19. A pandemia tem proporção inimaginável e nenhum sistema de saúde está preparado para atendimento em larga escala.

O número de leitos hospitalares devidamente equipados são indicadores importantes para medir a capacidade de tratamento das pessoas infectadas.

Casos confirmados x leitos por país:

Obs. Mapa da disseminação do coronavírus, por 4 de abril de 2020. A apresentação usa dados periódicos da Universidade John Hopkins e pode não refletir as informações mais atualizadas de cada país.
*Conforme divulgado em 4 de abril de 2020 pelo Ministério da Saúde.

Como fica a situação do Brasil frente a este grande problema?

De acordo com um estudo realizado pelo CNSaúde sobre o Cenário de Hospitais no Brasil, foi estimado que o Brasil tinha 2,23 leitos por 1.000 habitantes em 2010, caindo para 1,95 leito em 2019. Embora não exista uma recomendação oficial, a OMS (Organização Mundial da Saúde) estima globalmente uma média de 3,2 leitos por 1.000 habitantes.

Em 2017, o IBGE identificou que o gasto público brasileiro foi de 3,9% do PIB sendo menor que a média dos países da OCDE de 6,5%, enquanto os gastos privados no Brasil foi de 5,4% sendo mais que o dobro a média dos mesmos países (2,3%).

Na comparação com países desenvolvidos como Alemanha e Japão, as diferenças da participação no PIB dos gastos privados e públicos foi ainda maior – nos dois países, o governo gastou mais de 9%, enquanto as famílias, menos de 2%.

De acordo com o economista Francisco Funcia, desde que a Emenda Constitucional (EC) 95 foi aprovada em dezembro de 2016,  o orçamento da saúde vem sendo reduzido. Em 2017, os investimentos em Saúde representaram 15,77% sobre a receita corrente líquida anual, já em 2019 representaram 13,54%. Houve uma redução de R$ 20,19 bilhões nos recursos em saúde.

Embora o Ministério da Saúde junto com os governos estaduais estejam trabalhando para conter o avanço da doença, é evidente que o sistema de saúde brasileiro terá grandes dificuldades para atender todos os infectados.

É importante que todos façam sua parte para que os danos não sejam maiores ainda. Sem remédio comprovadamente eficaz ou vacinas contra o coronavírus a única prevenção é o isolamento social.

O Grupo Coletive-se acredita que a prestação de serviços públicos básicos com qualidade, como o acesso à saúde, é fundamental para proteger vidas e combater às desigualdades sociais que vivemos no Brasil.

Fique em casa!

Saiba mais:
https://www.bbc.com/portuguese/internacional-51718755
CenarioDosHospitaisNoBrasil2019CNSaudeFBH.pdf
https://conselho.saude.gov.br/ultimas-noticias-cns/1044-saude-perdeu-r-20-bilhoes-em-2019-por-causa-da-ec-95-2016

Por Amanda Cunha

Amanda Cunha – Moradora de Niterói. Economista, atua na luta aos direitos das mulheres no grupo Coletive-se.

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