A Estante / Na Realidade Por Kurt Helmut

A ESTANTE

Num dia de chuva
e de ventos fortes
percebi no meio-fio,
daquela rua sem muita importância,
uma letra presa
por uma linha
que se vestia
em verso.

E diante de tanta sujeira,
sob relâmpagos e trovoadas,
o bueiro rejeitou esse tal verso.
Consequentemente veio a represa
onde o mesmo verso,
por conta do momento,
chegou até a uma janela.

Ao perceber
o desespero do lado de fora
e o silêncio das estantes,
decidiu morar ali.

Namorou e se casou
com aquela ambientação.
Dessa relação
vieram linhas ou filhas
e teve uma vida normal
como qualquer família.

Essa é a história
de uma letra qualquer
que teve a sorte ou destino
de conhecer uma linha,
onde a união se deu num verso,
e ao morar numa estante
vive hoje nesse poema,
passeando entre olhos ou ouvidos
de cada um…
Qualquer caso ou semelhança
será sempre
uma mera coincidência.

Truck Tumleh
www.kurt.com.br

NA REALIDADE

Sou um pouco o final
de um ano que se vai…
Sou a essência de um início
que se engravida
na barriga da espera…

Sou cada palavra solta
de um folhetim popular…
Sou um sinal,
que dá sentido ou demarca,
uma letra ou uma metáfora…

Sou a sombra
da minha da própria luz…
Quem sabe,
um vento que destelha;
mas enquanto você pensar,
me disperso…

É!…
Sou, provavelmente, um temporal
que assusta mas não rola…
Na realidade
não ser nada,
para minha pessoa
é o tudo que carrego.

Truck Tumleh
www.kurt.com.br

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